sexta-feira, 2 de outubro de 2009
A TERRA PROMETIDA
Eba, sinto falta da terra prometida, lembro que nos primórdios da minha vida quando éramos eu e meus dois irmãos apenas três jovens mosqueteiros “não mosquiteiros”, no conforto do nosso primeiro lar, vivíamos os dias mais belos e tranqüilos de nossa vida, um lugar muito bonito, uma rua agitada de aventuras de moleques, brincadeiras que poucos jovens de hoje podem participar. Dentre as mais curiosas e absurdas catacreses que tal lugar proporcionava, estavam os personagens que paginaram os primeiros capítulos do livro da minha vida, todo jovem garoto tem aquela fantástica mente crescente, gostava muito de conversar com as pessoas e por muito ou pouco, “sacanear” com elas, lembro que uma das primeiras vítimas da minha astúcia foi o homem que fazia a limpeza das pastilhas que cobriam a estrutura do prédio, o procedimento para que ele limpasse era se pendurar por uma corda e ir lavando de cima para baixo, para isso ele descia amarrava o balde de água que estava preso em cima do prédio, enchia com água e subia para puxa-lo, fato que eu não tinha “vergonha” de aprontar, corria sem ele me ver, esvaziava o balde, e o pobre homem quando chegava em cima ao dar o primeiro puxão percebia que o balde estava vazio e lá vinha ele novamente descendo os sofridos cinco andares do prédio para encher o balde, detalhe que antes de ser apanhado fiz isso por umas duas ou três vezes. Mas nunca deixei de ser uma criança carinhosa e amável com as pessoas “quase todos”, a portuguesa que morava na casa de frente ao prédio que o diga, não existe pessoa que sofreu em minhas mãos tanto quanto tal mulher, ela tinha o azar de que o portão de sua casa tinha as medidas exatas para se tornar um gol, e receber constantes boladas fazendo muito barulho, claro que ela quando descobria o fato vinha com um ataque feroz do tipo “Vou contar pra sua mãe” , isso me preocupava sim, mas não tirava a minha vontade, nem de meus companheiros de jogar futebol, e sim, atormentar a “Dona Alice”. Tinha um grande amigo, um senhor de qualidades que talvez poucos a teriam, o grande, único e de sempre “Seu Quaresma” um senhor muito educado e muito inteligente, no começo de nossa relação quando eu me pendurava no portão, prendia o elevador, jogava bola no prédio,bombinhas na caixa do correio e outras coisas, éramos meio que inimigos, mas com sua simpatia ele conseguiu me conquistar e aos poucos evitando que eu fizesse minhas coisas de garoto serelepe, e passamos mais tempo falando sobre futebol e da vida, do que brigando. Mas não termina por ai, dentre as invasões as casas abandonadas, subidas em arvores, entrar em baixo de carros para pegar bola, caronas em boleia de caminhão, voltas de bicicleta no quarteirão, guerrinhas de bambucha “muitas vezes com urina dentro”, e maratonas noturnas de vídeo game, a comédia era total, tocar a campainha das casas e sair correndo era pouco, eu desenvolvi um grampo que prendia o botão e a mesma ficava disparada, também aconteceram coisas não tão boas, quando você foi o rei nunca perde a majestade e acaba sendo acusado de coisas que não fez. Já não tão jovem as brincadeiras se tornaram mais evoluídas, e a terra prometida passou por uma fase de loucuras, brigas de vizinhos, inclusive tinha um carro que um vizinho abandonou, era um opala azul muito velho e todo remendado com durepox, carinhosamente apelidado de Trovão Azul “pra quem não sabe trovão azul era uma série antiga que tinha um helicóptero chamado Trovão Azul”. Meu maior pecado e talvez arrependimento foi ter escapado de todas as aulas de catecismo e parando no fliperama da esquina, mas confesso que foi meu maior triunfo no Street Fighter. Eu dou muito valor a todo conforto e felicidade que fui proporcionado naquela época, graças aos cuidados que meus pais tiveram comigo, hoje eu sou um pouco menos abusado, e por isso hoje estou aqui para assumir uma coisa, SEU QUARESMA FOI EU QUEM PEDIU AS 8 PIZZAS, E REFRIGEIRANTES QUE ENTREGARAM NA SUA CASA... Muitas saudades...
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